Copa do Mundo 2026
A Copa do Mundo de 2026, marcada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, promete ser um dos maiores eventos esportivos da história recente. No Brasil, o engajamento com o torneio segue elevado: segundo pesquisa global da Ipsos, 71% dos brasileiros pretendem acompanhar os jogos, índice bem superior à média mundial de 59%. Esse alto nível de interesse emocional abre portas significativas para o varejo, especialmente para os supermercados, que historicamente se beneficiam de picos de consumo em períodos de grandes competições.
Dados da Copa do Mundo de 2022, no Catar, servem como referência. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou vendas totais no varejo em R$ 1,48 bilhão, crescimento de 7,9% em relação a 2018. Desses, os supermercados capturaram cerca de 8% da fatia. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) calculou, na ocasião, possibilidades de ganhos de R$ 20 milhões apenas no Rio Grande do Sul. O Sebrae destaca que os setores de alimentação, bebidas e vestuário (especialmente itens temáticos com as cores da bandeira brasileira) são os que mais crescem nesses momentos.
PÚBLICO CONSUMIDOR
O perfil de consumo varia por geração e gênero. Globalmente, o entusiasmo é maior entre homens da Geração Z (nascidos entre 1996 e 2012), com 71% de intenção de assistir aos jogos, enquanto mulheres Baby Boomers (1945-1965) apresentam o menor engajamento (39%). No Brasil, o padrão é diferente: homens da Geração Z lideram com 84% de interesse, seguidos por mulheres Millennials (76%). Curiosamente, homens Baby Boomers brasileiros são os menos interessados (54%), enquanto mulheres da mesma faixa etária chegam a 67%.
O cenário publicitário também favorece o varejo. De acordo com o relatório Global Ad Spend Forecasts, do grupo Dentsu, o Brasil deve liderar o crescimento global de investimentos em publicidade em 2026, com alta estimada de 9,1%, impulsionada justamente pela Copa e pelas eleições. Isso significa mais recursos disputando a atenção do consumidor em janelas de tempo concentradas, o que exige estratégias mais inteligentes e diferenciadas.
MANEIRAS DE SER ORIGINAL
Janer Costa, especialista em marketing e instrutor de cursos da Agas, alerta para o risco da mesmice: “Todo mundo faz muito parecido: encarte com as cores do Brasil, promoções no açougue e bebidas, e um produto de limpeza no meio. Temos que encontrar maneiras de ser originais e significativos para o shopper. Ficou para trás o tempo de fazer o que foi feito no passado.” Ele destaca que os hábitos mudaram: o futebol agora é assistido via streaming, com narrativas mais dinâmicas, e o público de 30 anos consome de forma diferente dos de 40 anos. Uma vantagem para 2026 é o horário dos jogos na primeira fase, às 19h ou 22h (horário de Brasília), fora do expediente de trabalho, o que facilita ações que estimulem compras para o momento do jogo. Costa sugere combos e kits personalizados: churrasco para 6 ou 10 pessoas, incluindo carnes, bebidas e sobremesas; petiscos para o intervalo (amendoim, queijo, salame, azeitona); soluções prontas e práticas. Bebidas não alcoólicas ganham espaço: energéticos, chás, refrigerantes zero e kombuchas, atendendo ao público fitness.
Na exposição em loja, ilhas temáticas seguem como a melhor aposta, com uso das cores verde-amarelo, som ambiente, telas exibindo promoções ou conteúdos relacionados, e foco em itens sazonais como vinhos (já que o inverno coincide com o torneio). Parcerias com fornecedores são recomendadas: torcidas organizadas em pontos de gôndola, degustações, ações instagramáveis, uso de inteligência artificial para jogos interativos, acúmulo de pontos com regalias maiores conforme a Seleção avança, e promoções condicionadas a vitórias (ex.: descontos na cerveja no dia seguinte a um triunfo brasileiro). No digital, Costa propõe engajamento criativo no Instagram: pedir frases sobre os jogos (melhor frase ganha prêmio), eleger a frase com mais likes, incentivar reels dentro da loja com produtos da marca, ou simular premiações estilo “TV Globo” para comentários.
Por outro lado, Anderson Ozawa, especialista em prevenção de perdas e governança, chama atenção para os riscos operacionais: “Venda alta pode significar só volume e não sucesso. Em períodos de pico, o varejo costuma relaxar exatamente onde não poderia: controles operacionais, regras de desconto, disciplina de estoque, governança no PDV e validação de exceções.” O aumento de faturamento pode mascarar prejuízos se não houver rigor nos processos.
Proibições da Fifa e CBF devem ficar no radar
A Fifa tem um guia que estabelece diretrizes de propriedade intelectual específicas para a Copa do Mundo. As proibições incluem anúncios comerciais, nomes de empresas, domínios de internet (URLs) e decorações de lojas ou mercadorias. Não é permitido usar:
- Logotipos da Fifa;
- Imagens da taça da Copa;
- Mascotes dos três países sede do campeonato;
- O nome oficial do evento — Fifa World Cup 2026 — no idioma original ou qualquer outro;
- Expressões protegidas como Copa do Mundo 2026, Mundial 2026 e World Cup, em qualquer idioma;
- Somente empresas patrocinadoras da Copa do Mundo, canais com direitos de transmissão dos jogos e companhias de produção dos itens oficiais do campeonato têm autorização de uso comercial.
Como aproveitar a Copa:
- Veja com fornecedores a possibilidade de instalação de ilhas temáticas, bem decoradas, ou espaços instagramáveis em sua loja
- Envie notificações com promoções direcionadas para os dias de jogos da seleção, com kits de produtos
- Os jogos serão às 19h e 22h na primeira fase. Os produtos mais buscados costumam ser aperitivos, bebidas e apetrechos para o churrasco.
- Nas redes sociais, você pode ser mais criativo ainda, criando promoções, reações, provas de lançamentos da indústria, gags e interações com consumidores
